Percorro nestas águas e estas não molham nem meus joelhos sujos e de tanto vagar, um dia ouvi dizer que existem águas que excedem estaturas de grandes homens. Mas nestas que ando só molham meus artelhos. Portanto, não alcançam as sujeiras do meu peito, não refrescam minha cabeça.
E nesse duradouro pisar, eu ouvi dizer dum vale que lava de corpo e alma os grandes homens que voltam das guerras travadas com a insanidade, a lamúria, a mentira e o medo. Tento lembrar-me da feição do homem que essas cousas, falou-me. Mas seu rosto não eu consigo lembrar, lembro-me apenas que era grande e nele espelhei-me, como nas águas.
Ademais me disse: Que se eu percorresse ainda que nas águas rasas, certo dia eu encontraria as águas mais profundas. E completou dizendo: Que essa busca é árdua e nos faz sofrer. Eu tão somente o ouvi e tornei a seguir meu caminho. Este que ainda estou a caminhar, que por vezes bate-me um desespero e passo a correr a fim de encontrar as mais profundas águas brevemente.
Mas logo venho a cansar-me, daí passo a andar mais devagar e ao pensar o quanto posso estar longe das águas que almejo, minhas lágrimas caem diante de mim, caem por sobre as águas, as quais a mim não passam de espelhos. Caem, caem e caem por sobre as águas que molham somente meus artelhos.
Devo chorar, contudo, estarei a caminhar enquanto forças houver.
Por Dias, Anderson