sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Dentro de mim


Eu cansei! Eu cansei desse peso mortal. Percebi a exaustão nessa tarde de véspera mui morta. Quantas portas eu deixei de adentrar por conta de minhas culpas? Quantas datas vão passar donde estarei a pensar naquilo que já se fora pelas veredas do passado? Ainda tão vivas dentro de mim, ainda tão vivas!

Percebi que o tempo não cura, quando o interior se mostra cauterizado, permitindo dessa forma a chaga na alma. E que a calma torna-se comprometida sobre o sinal de qualquer situação ameaçadora. Daí os fantasmas tomam conta do meu corpo, da minha estrutura. Nessa hora parece que nada pode reparar tal ruptura no meu “eu”. Tão paradoxal. Quão inocente? Quão culposo?

Eu cansei desse jogo mortal! E nessa tarde, uma lágrima caiu e senti que ainda estou preso há um conto indissolúvel e que talvez esse jogo seja indissociável a construção da minha estória tão real. Afinal a vida é um jogo que nos proporciona escolhas reais e que depois de cada escolha o que nos resta é saber viver com as resultantes de cada uma delas. Agora estou eu a cá me adaptando a minhas conseqüências, buscando encontrar a minha paz. A tão sonhada paz! Porque ainda acredito que ela possa existir em algum lugar dentro de mim.

Por Dias, Anderson

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Erro, Deus e amor

O erro é meramente um erro. A sinceridade transcende qualquer expectativa de culpa. O amor de Deus vai além. Na sinceridade sucede o perdão e rompe-se a culpa. Por isso transcende. O amor de Deus vai além e não se compara ao amor do homem. Ademais entenda uma coisa ainda que com Cristo, somos humanos. E a relação com Deus não se dá numa troca afetiva. E sim, sobretudo pela imensurável misericórdia de Deus. Portanto, ainda que eu O ame de todo meu coração. Jamais alcançarei mutualidade. Entenda-se, ainda que cristão, humano, demasiadamente humano. Ou seja, seu amor pára na condição de homem. O de Deus não.

POr Dias, Anderson

sábado, 9 de outubro de 2010

Ainda que na pequenez


Tu queres ensinar-me aquilo que subjetivamente não quero. Além do mais queres aquilo que jamais ousei conhecer. Indago-te: - Donde pretendes levar-me? O que intenta fazer?
Diga-me Mestre! Por que tais ensinamentos um tanto me fazem sofrer? O que queres arrancar de mim? O que queres matar em mim?

Se há, portanto nisso tudo finalidade traga-me a tona à minha consciência! Traga-me a ciência de tudo ou a ciência de tudo poderia por tudo a perder? Será que por eu ser um ser demasiadamente moribundo poderia deste modo teu plano querer mudá-lo quase que por todo?

Talvez minha concupiscência gritasse por tal mudança e a mesma regrar-me-ia. Esta ditaria o jogo. Mestre, na realidade isto de fato é o que sucede. Eu sei que sucede. Eu sei que ela quer. Mestre, todavia tu sempre estás disposto a ensinar-me ainda que nas minhas limitações. Ela não! Sempre disposto a dedicar-se por mim. Ela não! Sobretudo tão disposto a entregar-se sem hesitações. Tu, mestre, fazes em amor e por amor a mim. Ela não! Ainda que eu sofra, Tu queres fazer-me grande mediante minha pequenez.

Por Dias, Anderson

domingo, 3 de outubro de 2010

Felicidade


Deixa a poesia florescer
Felicidade quando vens brotar
Deixa a poesia alvorecer
Felicidade quando vens raiar.

Sobre a terra,
Sobre o mar,
Sobre mim.

Felicidade quando vens me visitar.
Deixa florescer, deixar alvorecer.
Felicidade vem me visitar,
E deixe-me ser

Feliz na poesia,
No ritmo,
No ser.

Por Dias, Anderson

sábado, 18 de setembro de 2010

"Toda vez...

... que agente parte. Agente sabe que vai voltar.
Toda vez que agente chora. Agente sabe que um dia a lágrima vai secar.
Toda vez que agente se nota fraco. Agente sabe que força irá encontrar.
Toda vez que agente sorri. Agente sabe que as coisas vão melhorar."

Por Dias, Anderson

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Caso eu envelheça


Quem não quer fazer mais?
Quem sabe donde pode achegar?
Dois decênios para mim
Foram relevantes para eu pirar.

Forjei bagagem e não posso abandonar
Meus afazeres, tampouco,
O sabor dos dissabores
E o desprazer dos prazeres.

Não deixarei minhas convicções
Ao relento, muito menos,
Ignorarei minhas incertezas.

Portanto, irei a existir
Suceder, anotar, depois dizer
Tudo, caso eu envelhecer.

Por Dias, Anderson

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Para mudar


Estou para mudar de paixão.
Estou para mudar de amor.
Estou para mudar o ritmo

Do meu coração.
Estou para mudar e não mais
Voltar a casa da ilusão.

Por Dias, Anderson

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Esmiúce-me


Esmiúce minha história,
Esmiúce minha vida.
Encontrarás bons caminhos
E uma ida perdida.

Por Dias, Anderson

Imagem (Fragmentação) por Ricardo Biancarelli

"Ainda...

que no deserto jamais deserte seus sonhos."

Por Dias, Anderson

segunda-feira, 26 de julho de 2010

"Por vezes...

...para nos tornamos homens, custa-nos grande parte de todo o ciclo vital, entretanto para nos tornarmos feras bestiais, basta-nos o singelo giro dos segundos."

Por Dias, Anderson

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Vontade [Re-post]


Vontade de escrever, vontade de cantar, de dizer que ama alguém, até mesmo de xingar, gritar e extravasar. Não rejeite uma vontade de sorrir, de dar gargalhada, de fazer palhaçada. Também a de não deixar de falar à quem tem que ouvir, vontade de aconselhar ou admoestar, de seduzir, vontade de ser abduzido, de sumir das páginas do gibi. Aproveite as vontades, todas antes que a vida perca a vontade de viver, tenha vontade de vida.

Tenha vontade de crescer, de conhecer, se unir, se entregar, sem medo do passado, e na melhor hora, vontade de uma vida dar. Se for homem tenha a vontade imensa de dar a semente, se mulher for, vontade tenha de dar luz, brilhante e reluzente.

Crie seu mundo conforme sua vontade, de ver brilhar o seu céu conforme sua vontade, erga suas colunas e faça do seu habitat o reflexo de sua vontade, derribe as lacunas, pois essas foram as culpadas de suas frustrações em suas vontades, tenha vontade de implodir o velho mundo sem cor, tenha vontade pintar o novo quadro, com guaches do amor.

Vontade de explodir de alegria, por ter pagado alto preço, pela aliança da vontade de seu amor. Vontade de poli-la, de mostrá-la, à quem tem vontade de ver sua vitória. Aproveite suas vontades, suas glórias, derribe o medo, e se encha de vontade e coragem, tenha vontade de abarrotar sua bagagem, do seu gosto e de suas vontades.

Não ignore suas vontades, pois assim pode estar desperdiçando suas maiores oportunidades, vontade de buscar o mais alto, de conhecer-se, e de amar quem luta por suas vontades.

Minha vontade é ver todos aqueles com apetite de vontade, e reavivá-la, ainda hoje sem fazer menção, a etnia, estatura, ou idade. O mais bonito do homem é ter vontade, e assim ela se ramifica em seus diversos meio de vida. Saboreie suas vontades à vontade!

Por Dias, Anderson


Postado pela primeira vez em: terça-feira, 30 de setembro de 2008

domingo, 18 de julho de 2010

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Os corredores


Cruzei as pernas e por um momento fechei os olhos. Respirei. Busquei coragem para viajar num lugar insondável. Minha mente! Minha ora sábia mente, minha ora débil mente. Encontrei força propulsora para adentrar os corredores desconhecidos de minha psique. Sempre temi essa excursão, sempre temi encontrar colunas que sustentam minhas lacunas de ilusão, o alento do meu falsário “self”, sempre temi desmascarar meu simulacro, sempre temi conhecer os demônios festeiros de minha psique.

Que merda de viagem! Que merda de falsa sensatez! Eu sabia que eles me mostrariam o que veridicamente me tornei. Notei que nada sou! Apenas torno-me! Apenas tenho um documento! Nada sou! Malditos corredores negros que por anos ocultaram meu “self”. Malditos demônios que ocultaram minha essência e deram-me uma máscara e uma lágrima para eu brincar no circadiano da vida. Vida complexa, cheia de etiquetas, modos e formalismos. Quem eu sou? Sou monstro? Sou criado? Não sou virgem de pensamentos! Não sou virgem nas atitudes? Quem eu sou?

Viagem tenebrosa! Descobri que vim do pó e que ao pó voltarei. Descobri que nunca fui rei e que mesmo nas minhas certezas sempre errei aos olhos do mundo, dos anjos e dos demônios. Nunca fui rei, os fantasmas do meu velho porão mentiram para mim. Nunca encontrei nada do que eles me prometeram! Nunca notei meu corpo! Nunca me decifrei! Não vi a paz em mim! Onde haverá saída para eu respirar a paz? Onde haverá saída para eu respirar-me? Para eu respirar a vida, sem atropelá-la, senti-la, cantá-la e quem sabe dançá-la. Onde haverá vida? Onde haverá tranqüilidade, verdade e amor? Onde haverá o perdão? Será que há isso tudo aqui no meu interior mental?

Não quero negociar nada com os anjos reles, o “self” não se negocia. Quero encontrar a sensibilidade nos confins de minha psique. Encontrar a renovação mental, física e espiritual, exorcizar os velhos fantasmas, limpar o porão, tirar as teias e polir a porta de ferro que dá passagem para os corredores escuros que escondem o ouro e derribar a sentinela do medo. Iluminar tal lugar. Que iluminem os corredores e que haja esperança em meio às dores! Que eu possa encontrar meu norte, encontrar meu maior presente, o meu “self” e com a força de todos os ânimos, dizer:

-Eu!

Que viagem! Acho que voltei!

Por Dias, Anderson

terça-feira, 6 de julho de 2010

"Minha meta...

...é deixar de apenas existir e tornar-me homem. Homem de uma só mulher. Homem de família. Homem de trabalho. Homem de companhia. Homem de compromisso, de respeito e de coragem. Ser homem, mas homem de verdade.

Por Dias, Anderson

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A onda


Eu vou à onda amar,
Eu vou à onda mor.
Eu vou à onda do mar,
Eu vou à onda do amor.

Por Dias, Anderson

domingo, 4 de julho de 2010

Coração em série


Coração que fala na hora que deveria calar-se. Coração que brinca na hora em que tudo parece tão sério. Coração que apetece mostrar-se, donde todos se ocultam. Coração que deseja entrega donde isso parece não haver. Coração que quer loucamente bater por alguém. Coração que sorri. Coração tolo. Coração ansioso. Coração necessitado. Coração que se engana. Coração que com facilidade apaixona-se. Coração que pensa que ama. Coração que não desiste. Coração que tenta conhecer. Coração que espera um amor no póstumo alvorecer...

Coração que...

Por Dias, Anderson

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Faço-te um bom dia


Amor, bom dia!

Permita-me contigo professar minha fé todas as manhãs e deixe-me lhe fazer o café. Fique em paz, vou colocar as roupas para lavar. Deixe-me lavar a louça de ontem à noite. Não levante vou varrer a casa aos delirantes sons de Eykah Badu.

Já nos amamos, já verificamos nossa agenda, já fizemos nossas contas financeiras, vamos nos amar outra vez!

Deixa-me te buscar após o serviço, permita-me arriscar uma de mestre cuca, não se preocupe, prometo não bagunçar deveras a cozinha. Permita-me fazer morada nos teus sentimentos por eu ser o motivo dos teus sorrisos. Deixe-me lhe proporcionar um bom dia em todos os santos dias de nossas vidas.

Com / por você...

Aprendi que nós homens não nascemos homens, e sim que tornamo-nos homens quando entendemos que nossa busca não se deve resumir-se em ser feliz unicamente, mas sim que devemos buscar fazer felizes a quem amamos. Aprendi que não devemos acordar em busca de um bom dia para tranqüilizar nosso ego, mas sim que devemos acordar com propósitos de proporcionar um bom dia a quem amamos.

Aprendi a ser homem a cada manhã e a cada manhã faço-te um bom dia.

Por Dias, Anderson

"Coca-Cola...

...brisas e o mal de cada dia."

Por Dias, Anderson

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Para ermas estradas após o perdão


Por que não aceitamos que vacilamos, que falhamos na vida, na ética, na paixão e no amor? Por que negamos? Não tenho todas as respostas para tais indagações, mas se você estivesse aqui pediria de antemão: Olhe em meus olhos! E daí, lhe assumiria o quanto falhei, o quanto errei e o quanto simulei. Eu não passei de uma farsa que se alimentava em seus sonhos, quão canalha, fui as suas vísceras amorosas e acriançadas!

Você talvez visse um bom vindouro! Eu apenas queria gastar os ouros da vida! Você talvez quisesse sinceras conversas! Eu apenas quis os bons cavacos alheios! Você ansiava as coisas eternas! Eu apenas cobiçava as transitórias! Éramos, portanto desarmônicos. Talvez tu fosses o anjo e eu o demônio. Como não notamos nossas incoerências antes dos ferimentos? Simulei excepcionalmente a ponto de não ser notório a olho nu? Ou você forjou nada perceber? Bom, inquéritos não mudariam nada agora...

Enfim...

Depois de tanto tempo, vale reconhecer as lacunas da estória que cunhei. E venho hoje meus erros assumir, não mais escondê-los e, portanto perdi-te aquele perdão de tempos. E só quero dizer-lhe que independentemente dos rumos, torço por ti, torço para que tu encontres nas vilas do mundo as melhores coisas do vindouro, as mais sinceras conversas e, sobretudo as coisas eternas. E eu? Pode deixar! Vou traçar as ermas estradas, lá é possível caminhar e refletir. Ademais...

Quem sabe por lá, eu encontre alguma distração?

Peço-te perdão!

Por Dias, Anderson

Vamos fingir


Vamos fingir que tudo se enquadra.
Vamos fingir que nada nos incomoda.
Vamos fingir que estamos na moda.

Vamos fingir que tudo decorre bem.
Vamos fingir que agente corre bem.
Vamos fingir bem!

Vamos fingir que agente ama.
Vamos fingir que ninguém está na lama.
Vamos fingir que a vida dimana.

Que é pra ninguém ver que tudo está mal.
Que tudo cheira mal.
Que tudo está de mal à pior.

Vamos fingir que tudo parece bom.
Vamos fingir!
É, vamos fingir bem!

Por Dias, Anderson

quarta-feira, 30 de junho de 2010

"Cada toque...

...de su seducción es realmente encantador, pero tendrá que ser auto-torturador, ser bella no es suficiente, tiene que ser una mujer!"

Por Dias, Anderson

terça-feira, 29 de junho de 2010

De um novo clarão


Não posso dar vida as minhas conspirações,
Tampouco alento as minhas velhas ações.
Tento melhorar-me, sem aproximar-me das ilusões.

Criações oriundas do coração,
São os piores fantasmas
As piores crises de asmas
Feitoras de almas pasmas.

Preciso sufocar minhas alucinações,
Não responder algumas auto-indagações,
Apenas ser “self” em meio a tantos outros corações.

Reinterpretar meu velho coração (fazê-lo novo),
Exorcizar os fantasmas do porão,
Aperfeiçoar minha respiração
E pasmar-me ao sentido...

De um novo clarão!

Por Dias, Anderson

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Ela veio


Ela veio aqui,

Ela brincou com os daqui,

Ela conversou aqui,

Ela até jantou aqui.

Mas aqui dentro de mim,

Ela parece não mais existir.

Ao menos a ela sala eu fiz.

Por Dias, Anderson

terça-feira, 25 de maio de 2010

Disso tudo saudades


Meus cumprimentos a todos
Meu agradecimento ao Pai.
As coisas na vida se vão
Como uma folha que cai.

São bons momentos vividos
Com coração feérico
Pilhérico, disso tudo
Amigo, eu sinto saudade,

Do tempo que os moleques lutavam
E nem existia maldade.
E os joelhos gêmeos
Com a mesma sujeira do chão.

E pelo doce da vida
A mesma ambição
Que era boa
Nessas horas, amigo,

Os moleques sagazes
Não ficavam à toa.
Certas coisas do tempo
Já vão ficando pra trás,

Os interesses são outros
As menininhas são mais.
A primeira fuga com os comparsas
A queda do skateboard.

E à noite...
Inspirava os rabiscos,
A lua encantava
E oferecia seus riscos.

E disso tudo, saudades
Mas agradeço ao Pai.
As coisas na vida se vão
Como um dia agente se vai.

Por Dias, Anderson

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O presente


Não cobiço mais saber do futuro,
Desejo agora sentir o presente.
Exploda o futuro e que eu seja mais presente.

Aborreci-me de minhas ausências,
Nos tempos que mais necessitava de mim,
Pois, estava eu a pensar no futuro.

Não cobiço mais viajar nas "mil" possibilidades
Que o vindouro me reserva,
Quero apenas gozar do presente e sentir-me nesta hora.

Sem pressa, sem anseio e sem futuro...
Apenas eu a vida e o presente.

Por Dias, Anderson

segunda-feira, 26 de abril de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

Deixa ela


Calma lá, deixa ela,
Chegar mais à cá.
Deixa ela jogar,
Deixa ela pensar,

Só ela sabe brincar,
Deixa ela piscar.
Deixa ela olhar,
E o cabelo jogar,

Seu pescoço não para,
De molhar,
Dá pra ver o suor,
Dimanar no colar,

Deixa a pista pra ela,
Ela sabe dançar.
Deixa se mostrar,
Assim, impetuosa.

Deixa ela gingar,
E se mostrar poderosa,
Deixa ela provar,
Que merece uma prosa.

Deixa eu beber algo,
Pra me recompor,
Vou deixar essa moça,
Os meus passos compor.

Eu não quero admitir,
Ela me abiscoitou
Deixa eu ir pra lá,
Meu coração super-saltou.

Minha pista é sua,
A paixão desde acolá,
Deixa eu ser o teu homem,
Que eu deixo a coisa rolar.

Deixa ela jogar!
Deixa ela jogar!

Por Dias, Anderson

O processo de cada dia


Ao se dar um novo dia,
Minha mente se recria.
Dentro de um processo
De valorização, visto...

Numa insana relação,
De sangria e alegria,
E por que não vice-versa?
Auto-conversa, linda,

Bem-vinda quando versa,
Minha mente se recria.
Ora, imaculada,
Ora, perversa.

Todavia, versa e compreende
Que nesse processo
De alegria e sangria,
Não há retrocesso.

Por Dias, Anderson

terça-feira, 6 de abril de 2010

Ajuda-me


Senhor,

Tu sondas-me e conheces-me bem. Eu ando sempre em sinceridade, Tu sabes disso, e não quero largar mão de tudo, contudo nada parece encaixar-se. Tudo parece tão longe, tão difícil. Sei que, em momento algum, me disseram que haveria de ser fácil, mas quanto mais me esforço, mais parece que estou contra a maré. Mais e mais contra uma imutável condição ou realidade, tenho a sensação de que devo aceitar tal silenciosamente, parece que me resta tão somente aceitar.

Senhor! Ajuda-me!

Tu conheces-me bem, tão bem.

Por Dias, Anderson

sexta-feira, 26 de março de 2010

Há tempo, não há motivos


Sentido contra mão, deveria eu estar à caminho do Anhangabaú, mas sigo Tucuruvi, lançando-me fora do real objetivo.

Logo venho a indagar-me. Quais são meus motivos?

Prematuramente, nasce um silêncio, um silêncio ditador. Um silêncio que sufoca a verdade que há dentro de mim. Verdade esta que não sente as primícias do alvorecer, pois adoece, ora num velho colchão, ora num simplório sofá.

Lá fora, o dia acontece e os pássaros cantam, mas nos cantos não encontro motivação.

Lá fora, rajam os primeiros raios solares, mas neles não há para mim, inspiração alguma.

Por vezes, sinto-me sem forças na alma, sem alento, sobretudo sem sentido. O relógio, já registra nove e quarenta e dois da manhã e ainda não encontrei motivos para sorrir. Cada minuto sem motivo é cada minuto sem sorriso, resumindo-se em tempo perdido. O tempo não vai esperar você encontrar motivos para sorrir.

O tempo não pára, há tempo, não há motivos, há silêncio, não há motivos.

Por Dias, Anderson

terça-feira, 16 de março de 2010

Ela sonhou


Ele (o rapaz) estava com ela (era sua mãe), sentados a mesa do bar, o bar era de esquina, havia muita gente ali. Certamente, os dois conversavam a vontade, o rapaz estava com uma camiseta mostarda, uma de suas preferidas, que ganhara a um bom tempo dum amigo mui próximo.

Repentinamente, uma moto com dois homens, aproximou-se e um deles disse:

- É aquele ali, é aquele ali que quero matar! (Apontando para o rapaz de camiseta mostarda)

A mulher que estava com o rapaz, levantou-se impetuosamente e gritou:

- Não, ele não! Atire em mim!

Entretanto, ela não pode evitar e o homem da garupa acertou seu alvo, o rapaz. Após o disparo os homens da moto, foram rapidamente embora e iniciou-se a azáfama geral nos arredores e dentro do bar. O rapaz, ali escorado numa das mesas, sangrava, a mulher colocou por um breve momento a cabeça do rapaz sobre seu colo, ela não viu a morte, tão pouco a sentiu por ali.

Algumas pessoas ajudaram a socorrer o rapaz, uns por vontade própria, outros a pedido da mulher, o rapaz não agonizava, ele parecia bem, mesmo sangrando. O bar foi o refúgio, o levaram para dentro, num ambiente de paredes azuis.

Contudo o rapaz de camiseta mostarda não morreu...

Foi tudo um sonho, não sei o que quer dizer, mas ela isso sonhou.

Por Dias, Anderson

sábado, 27 de fevereiro de 2010

"Há somente...

...um caminho,
Há somente uma verdade,
Há somente uma vida."

Por, Dias Anderson

Inspiração oriunda de João 14:6

Ele


Ele tão querido

Ele tão amado.

Partiu...

A uma nova empreitada,

Partiu...

Deveras corações,

Mas, foi com consciência

Pois, é grande homem e sabe o que faz.

É referência, e parece-me tão reto.

Quão veraz, quão franco, tão da paz.

Partiu...

Entristeceu a muitos.

E foi forte tanto quanto inusitado,

Ele se foi e talvez eu também vá.

Por, Dias Anderson

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Primogenitura


Nascer, nascer primeiro, o primeiro a morrer, vir antes, vir antes para fazer acontecer, o primeiro a explorar o anoitecer, o primeiro a observar a primazia do alvorecer. O primeiro a trabalhar, escorrer o suor a valer, o primeiro a se cansar, a se banhar, o primeiro a ler e a entender. O primeiro a viver, a aprender sozinho, o primeiro a executar e depois a ensinar. O primeiro a nascer, o primeiro a morrer. Foi o antes de tudo e tudo com ele, eu passei a entender, mas eu vi...

Infelizmente...

Foi o primeiro a se vender, o primeiro a se corromper, o primeiro a se perverter, a se perder. O primeiro a desejar o jantar alheio, pois estava cansado para o seu obter. O primeiro a esvanecer, o primeiro a se entregar. O primeiro a rejeitar a honra de ser o primeiro.

O primeiro a cair na matilha...

O que vale mais? A honra de ser o primeiro ou um mero prato de lentilha?

Diante disto, conquistei minha primogenitura, mesmo sendo o mais novo. Fui o primeiro a entender que toda honra da vida há de se manter, o primeiro a ser maduro o bastante para não achar que em suas ações, achastes sua vida. Afinal corres o risco de perdê-la na soberba da vida, o primeiro a entender que os preceitos que guardas devem ser constantes e que suas convicções não devem encontrar diferentes veredas. Fui o primeiro a entender que devo honrar o meu lugar, o primeiro a entender o que se chama oportunidade e através dela fazer acontecer. O primeiro a entender que na vida muita coisa não se mistura e que nem tudo pode se aceitar, caso de fato queira permanecer na honra da primogenitura.

Nem todo prato, por mais difícil que seja a circunstância, vale a pena obter.

Por Dias, Anderson

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Ele Busca…


Incansavelmente, Ele busca como quem está faminto, cansado, como quem deseja uma cama para deitar, um prato de arroz e feijão, como quem sonha em ter um lar. Ele busca por todos os cantos dessa grande sala, a qual nomeamos mundo, pelos 4 cantos do planeta. Ele busca não por soldados valentes, por exércitos, por frotas fortemente armadas. Ele não busca por quem esteja pronto, preparado, bem treinado, capacitado, Ele não busca pelos dispostos, pelos os que não temem a nada, pelos corajosos, pelos perfeitos… Não busca por condições humanas que facilitem a missão, que facilitem o resultado positivo. Ele não quer os melhores, os primeiros, os mais sábios e letrados…

Ele busca seres imperfeitos e insignificantes como eu e você, aqueles os quais a sociedade escarrou em suas faces, os mais podres e pecadores, os considerados insociáveis, insuportáveis, malditos, pobres e desprezíveis. Ele busca aqueles que são tratados como vermes inúteis, qual o mundo vomitou de suas entranhas, os que olham para si mesmos e enxerga uma fraude, um rabisco mal feito, uma caricatura falsificada da imagem do Criador, cujos religiosos julgam como ímpios insolúveis, causas perdidas, farsas, apostas mal calculadas

Ele busca aqueles que são pisados como baratas: analfabetos, larápios, assassinos, prostitutos, comedores de lixo, mendigos, viciados, miseráveis, traidores, mentirosos, corruptos, estupradores, falsários, alcoólatras… A escória da sociedade.

Ele busca aqueles os quais as elites mataram, pois assim como esses, Ele morreu pelas mãos das mesmas elites. E morreu por todos nós!



Por Velho Marujo


"Este é um dos excelentes escritos do meu grande e velho amigo marujo. Paz e sucessivos versos a ti meu caro." Anderson Dias

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