
Sentido contra mão, deveria eu estar à caminho do Anhangabaú, mas sigo Tucuruvi, lançando-me fora do real objetivo.
Logo venho a indagar-me. Quais são meus motivos?
Prematuramente, nasce um silêncio, um silêncio ditador. Um silêncio que sufoca a verdade que há dentro de mim. Verdade esta que não sente as primícias do alvorecer, pois adoece, ora num velho colchão, ora num simplório sofá.
Lá fora, o dia acontece e os pássaros cantam, mas nos cantos não encontro motivação.
Lá fora, rajam os primeiros raios solares, mas neles não há para mim, inspiração alguma.
Por vezes, sinto-me sem forças na alma, sem alento, sobretudo sem sentido. O relógio, já registra nove e quarenta e dois da manhã e ainda não encontrei motivos para sorrir. Cada minuto sem motivo é cada minuto sem sorriso, resumindo-se em tempo perdido. O tempo não vai esperar você encontrar motivos para sorrir.
O tempo não pára, há tempo, não há motivos, há silêncio, não há motivos.
Por Dias, Anderson