
Estou tentando dormir,
Afim de esquecer do que tenho que lembrar.
Estou tentando esquecer,
Daquilo que me esqueci de preocupar.
E a noite passa,
Os pássaros descansam em paz.
Eu tento, juro que tento,
Mas o sono não se faz...
Presente, meu corpo sente
Que eu já deveria estar a sonhar.
Mas tenho tantas coisas para lembrar,
E vivo a incerteza. Qual delas cunhar?
Acho que a que deveria,
Eu já a deixei escapar.
Como a mão de outrem que aqui não está,
Nem por isso o fim do mundo me resta esperar.
Ainda hoje às sete da manhã,
Isso tudo vou tentar esquecer e me levantar.
Vou colocar a minha máscara
E falsamente alegre ir trabalhar.
E no caminho tentar não lembrar as tristes melodias,
Que as velhas cordas à noite tocam,
Vou buscar sentir os raios do sol
E os pássaros que descansavam, irei ouvir o que cantam.
Vou tentar me esvaziar do que toma conta
De ponta a ponta de mim,
Porque quando lembro os ouros que perdi,
É duro, é difícil para mim.
Vejo minhas lágrimas caírem
E molharem os linhos de minha camiseta,
E de volta à madrugada, subitamente penso
Ainda há tempo de corrigir minha faceta.
Por Dias, Anderson