De mais um parto eu parto para vida, cada parte por mim escrita é uma parte de mim registrada, partida ao relento, fruto do momento, cada parte, tem seu mundo diferente, ora Terra, ora Marte. De cada parto aprendo por partes cada partida da vida, as idas, as voltas, partida de algoz, partida de vitória, de fel, de glória. A cada parto, parto meu pão, parto meu coração, como também já parti meu colchão, já parti minha paixão.
E de parto a parto, vejo-me partido, por parte perdido, noutra parte sinto-me entendido, de parto a parto, cada parto eu vivo, por parto sou movido, vendido, absolvido, vivido, rejuvenescido, nisso tudo, vejo que de parte em parte tenho crescido. Mas vamos por parte, pois a cada parto torno-me menino, mas quando vejo de um parto uma parte de mim, por mim vencida, que ficou para trás, é porque fui homem, assaz, tenaz, sagaz e veraz.
E foi num parto, daqueles que tu se parte ou parte de vez para vida, na partida da imensa avenida, ainda assim não via saída, mas numa parte escura, num beco encontrei a outra parte de minha jóia partida. Os partos da vida nos ensinam partir, a partir de uma determinada partida, e de cada parto nasce o amor, a angústia, o encontro, a perda, o choro, a alegria, o deleite, a sangria, a guerra, a paz, a vida e a morte.
Parte, partida, parto, nessas lições, eu aprendi a partir, desde meu parto até ao meu último suspiro, pois dali em diante eu irei partir mais uma vez. E deste parto, eu parto para a vida, para a morte, para o vácuo do silêncio, para meu esperado norte. É a forma que eu partir a cada parto, que vai levar-me, não mais por parte, mas sim num todo à minha eterna sorte, buscada nas tantas partidas da vida.
Por Dias, Anderson